Inaugurada em 2002, a Choperia da Liberdade só foi ser conhecida pelo grande público depois de dois anos de existência. Até então só freqüentada por orientais, foram estudantes de faculdades próximas que fizeram com que o lugar ficasse mais conhecido.
Hoje, por mais brega que o lugar seja considerado (pela sua mistura de elementos), é um reduto de pessoas diversas, desde executivos japoneses a pessoas alternativas ligadas a moda e arte.
Lá, como em vários lugares do bairro da Liberdade, rola um clima de mistério, talvez um Q mafioso. Ao chegar na entrada o que se vê é apenas uma portinha minúscula, sendo impossível imaginar a imensidão que é dentro. No primeiro ambiente, há um corredor largo com mesas de um lado e bar do outro, onde é servido o sushi. Mas, ao dar alguns passos, uma cozinha aberta com churrasco, que se assemelha mesmo a um grande salão de churrascaria, aparece do nada. O lugar é realmente uma casa de variedades, que se estende da gastronomia às pessoas que freqüentam o espaço. No espaço há snooker, churrasqueira, sushibar, bar e também uma choppera. O local é todo espelhado, tem decoração de Natal e carnaval misturados, e em todos os lados estão pendurados quadros temáticos.
Valéria Villasboas, uma jornalista com quem conversei e que tinha ido à Choperia Liberdade uma única vez, não tinha reparado nos detalhes das imagens na parede. “Olha aquela nave espacial, aquilo é uma nave espacial, uma praia com coqueiro que lembra um pouco Angra dos Reis, o urso polar, a moto, a cachoeira. Detalhe: elas brilham, têm luz atrás”, repetia.
Ao lado da pia com detergentes, havia uma tábua imensa cheia de carnes retalhadas e abetas. A grelha permanecia pegando fogo no meio do corredor do salão e o cheiro impregnava qualquer coisa ali presente. Um garçom estava tomando uma coca zero e a deixou no meio da travessa de vinagrete sobre a mesa do salão.
Mas antes ele também tinha fumado um cigarro e sequer tinha lavado a mão depois.
“Então, agora, por exemplo, o cara veio trazer o negocinho de saquê, num plastiquinho. É plástico, não é aquele de madeira, bacana, de restaurante japonês, sabe? O garçom nos disse que é assim porque a galera tava levando tudo embora. Ai você vê, quem tá levando tudo embora? Você leva esse negócio embora de qualquer restaurante? Não leva, né? Então, por ae você vê que o povo que freqüenta também é bem alternativo”, comentou Valéria.
Mama, em japonês, significa dona ou gerente do estabelecimento. Na Choperia Liberdade, a mama é a japonesa nascida em Nagasaki, Eiko Harada, querida pelos freqüentadores com seu jeito nipo-brasileiro, contida e animada ao mesmo tempo. Ela contou que muitas pessoas reservam espaços no salão para os mais diferentes tipos de evento: aniversário, despedida de solteiro, locação para filmes e programas de tv etc.
Mas, segundo o analista de suporte Rafael Dina, que conheceu o lugar há um ano e meio, o mais interessante da Choperia Liberdade é a energia e interação entra as pessoas, que estão dançando, estão cantando e também estão dançando o que as pessoas tão cantando.
E o clima de animação é realmente contagiante. É um lugar onde você se sentir livre para ter qualquer tipo de atitude, pois ninguém estará se preocupando com o seu comportamento ou com os detalhes de sua roupa. Ainda que a especialidade da casa seja o churrasco e o próprio chopp, cabe lembrar que é o conjunto de elementos que faz da choperia um lugar agradável. O preço dos produtos é bom e a diversão é garantida ! – desde que haja disposição para enfrentar calor e cheiro de gordura.



Kal
Choperia Liberdade, programa super recomendado!