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Playlist

O Dicas de Degustação do programa Pelado de Avental teve como entrevistado o mesmo produtor musical que produziu as vinhetas do Marmitech, Filipe Trielli, da Panela.

Ele e sua esposa, Vanessa Trielli, deram dicas de como montar a trilha sonora de um jantar romântico.

Pra quem gostou, separamos a playlist na ordem do programa. Enjoy!

Bella Notte
(Sonny Burke/Peggy Lee/Oliver Wallace)
Disco: A Dama e o Vagabundo - Trilha Sonora Original

She's Only Happy in the Sun
(Dean Butterworth/Ben Harper)
Disco: Diamonds on the Inside
Intérprete: Ben Harper

It Had To Be You
(Isham Jones / Gus Kah)
Disco: Complete Verve Studio Master Takes CD
intérprete: Billie Holliday

Brie com Bardot

Dia desses, como de costume, acordei e fui para a cozinha. Pessoal de casa, cada um pedia uma coisa diferente. Mas eu não quis saber. Fui à cozinha porque precisava tentar reproduzir uma deliciosa refeição que tive ao lado de uma deliciosa pessoa. Não pensem vocês que a comilança teve qualquer conotação de algo mais. Nem poderia, já que à mesa não estavam dois, mas seis. Ei-los: Natália Garcia (yo), Daniela Silva, Paulo Paladino, Maria Cavalcanti – até agora, todos membros da pantagruélica equipe do Marmitech – Mônica Nunes, querida convidada, e a deliciosa pessoa: Lusa Silvestre. O cara revirava as cebolas da panela na colher de pau com a naturalidade de quem se sentia em casa – o que era de se vangloriar, já que ele estava na minha casa, na minha cozinha.

Xico Sá e as tapiocas

Como afirmou na seção De Sobremesa do programa Gastronomia lado B, Xico Sá defende a culinária de raiz - o que inclui a tapioca de raiz.

Para ele, o que se chama de tapioca em São Paulo está longe da tradicional tapioca do nordeste. De Sobremsa está aí, então, o texto prometido pelo Xico Sá:

A tapioca virou pizza

Pois não é que a tapioca tem vez nas calçadas de São Paulo. Está em tudo quanto é esquina do Centro, da Consolação, Bela Vista, Jardins de Luxo e Jardins da perifa.

Para o bem ou para o mal,não sejamos culinariamente corretos, a tapioca está,aos poucos se transformando em outra iguaria, cada vez mais distante da branquinha original que levava apenas queixo de qualho e coco ralado, nada mais. A maioria dos nordestinos, aliás, a preferiam até mesmo apenas com manteiga de garrafa, útimo tango do agreste.

A pipoca - por Rubem Alves

Escritor, educador, psicanalista e teólogo.

Rubem Alves também é um senhor muito simpático que me pedia para falar bem alto ao telefone. Tirava um cochilo quando liguei para entrevistá-lo. Os trinta segundos de mau humor sonolento logo foram quebrados pelo bate-papo bem humorado de um mineiro que adora frango com quiabo.

Na seção De Sobremesa do programa Comida pro Espírito do Marmitech, Rubem Alves contou como teve a idéia de escrever o conto Pipoca.

Como prometido, lá vai o texto.

A Pipoca

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-mo a algo que poderia ter o nome de ‘culinária literária’. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como ‘chef’. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo - porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

Canja do Lusa

Como prometido, na seção De Sobremesa do Pelado de Avental,o conto Para Comer, do livro Pólvora, Gorgonzola e Alecrim, do publicitário Lusa Silvestre.

Para Comer

Era impossível não ficar impressionado e invejoso. O sujeito pegava mulher como quem pega resfriado, acabando na cama do mesmo jeito. Obviamente colecionava seus fracassos, graças a Deus, mas os sucessos eram muito superiores em número. E nem era bonito. No máximo, no máximo, ajeitado. Não era narigudo demais, nem suava embaixo das mamicas, nada dessas imperfeições humanas aparentes. Sua maior beleza era ter chegado aos trinta e dois solteiro e com renda, mascarando os defeitos físicos com aquilo que o bom dinheiro traz. Perfumes, carro, academia da boa, livros, um apartamento pra lá de bem montado.